bate bate, bate no meu TOC, mexe na minha mesa, derruba meu lápis e coça o meu nariz.
Flamenco, TOC's, Decisões, Opiniões, Reclamações, Erros, Acertos, Aventuras, Amigos, Amores, Narrações de sonhos e Travessuras da Aurora.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Fazer e refazer
Se tentarmos dividir as coisas do Mundo em irreversíveis ou reversíveis podemos nos emaranhar em perguntas difíceis e que contrariam nossa ética ou a praxis cotidiana. Há algumas dessas perguntas que já são ou foram respondidas para nós, e ainda bem, ao menos temos algumas verdades e veredictos decisivos e definitivos para nos guiarem no mundo das perguntas que questionam o que é reversível. O leite que talhou - irreversível. As moléculas com sua precisão físico-química nos impuseram uma reação que, ao menos até então, não pode ser revertida.
A morte, mais do que irreversível, o que mais influencia tantas de nossas ações reversíveis ou irreversíveis, é a maior certeza que os seres vivos têm quando se trata de irreversabilidade. Então temos: as ações irreversíveis, as reversíveis e dentro destas classificações existem as subclasificações "humanas", "de outros seres vivos" e "materiais". Deixo separadas as ações humanas das de outros seres vivos pois é mais prudente, já que não sabemos muito sobre o que vai no interiorzinho de uma coruja, por exemplo. Abro também a classificação das ações - acontecimentos, no caso - materiais. São aqueles fenômenos que independente (ou não) da interferência de humanos ou animais, acontecem. Se a vela cair em cima da cama tudo vai pegar fogo, certo? Ao menos até que um Homo sapiens venha com um extintor ou um gato traga sua vasilhinha de água para tentar amenizar tal situação. Pois então, se cada clasificação de ações (reversíveis e irreversíveis) tem 3 subclassificações, temos então um puzzle de 6 tipos de ações que definem como fazemos para nos virar nesse planeta e existência. Estas ações poderiam ser muito mais catalogadas e classificadas já que as ações "humanas", por exemplo, poderiam ser classificadas como biológicas, psicológicas, burocráticas ou sociológicas. Uma vez entendido s
quais os tipos de ações básicas que podemos optar (ou não) por fazê-las ou deixar de fazê-las fica mais possível uma navegação menos conturbada pelo caminho das escolhas. Navegação menos conturbada para todos, mas principalmente para quem tem algum dos tipos de psicopatologia - ou seus sintomas - desta nossa espécie. Não sou psicóloga, não tenho como adentar agora em "para quem" e "para o quê" este meu esquema ajuda, funciona ou não é presente. Trata-se aqui de um pequeno rascunho de uma cabeça confusa nessa babilônia trash contemporânea e que, toc's a parte - ou não, sua autora faz questão de compartilhar. Bem-vindos, amigos TOCquianos.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
"Coisas" do TOC
Belo Domingo, a cabeça tá mais leve. Salva a tempo por um e-mail bondoso de uma amiga bacana-bacalhoa, time to go back to life. O ânimo que impreterívelmente tinha que voltar voltou, benditos sejam os bacalhais deste planeta. Acontece que boa parte deste ânimo resurgiu das cinzas por causa da brecha das minhas manias toquianas, as minhas coisas dos TOCs. Elas se acalmaram - graças a Deus. O que me perturba cotidianamente são as coisas materiais. Meu TOC não se agarra (tanto) a passos e jeitos e falas, o que pega (literalmente) nos nervos são as COISAS. Aaaaaaaaaai as coisas, é tanta coisa, é coisa pra lá, coisa pra cá, coisa inútil caindo, coisa útil escondida e torta. Muito torta, grosseiramente torta! Toda essa desorganização das coisas chega a me impedir de fazer algo, sem antes corrigí-las. E mesmo corrigindo aquela revista tortíssima na prateleira adjacente ao caixa, no supermercado, vai sempre surgir mais uma tortice que vai me perturbar, portanto tenho que me saciar de simetria com aquela destortice mesmo, então aproveito ao máximo a sensação de endireitar algo. Hey, se não tenha percebido, você está agora na exata mesma posição que a de um psicanalista hein. Pruveita! (Ou não). Acho que se eu estivesse vivendo numa época em que tudo fosse mais racionado, e não tivesse esse tanto gigantesco de coisas sendo produzido a cada segundo, sendo elas maioria inúteis e imprestáveis, esse TOC do caralho seria bem menor, ou talvez nem existisse em mim. É que é taaaaaaaaaanta coisa inútil, ocupando espaço e poluindo a vista e o ar, impedindo passagens, caindo e sujando os caminhos nossos! Como tenho esperança quando se fala em reciclagem, REduzir, REutilizar, REciclar! Não dá, é coisa demais já e não demora pra sermos engolidos por elas! Fábrica com trabalho quase escravo pra fazer chaveirinho? Affff, enlouquece. Ao mesmo tempo que as coisas se tornaram mais - ou tanto - importantes que o próprio Homem (humanização da coisa), elas perderam seu valor de uso, tendo só um valor de troca, e mesmo assim, as vezes nem este é justamente dado a elas. Então é assim, compram coisas e coisas que estragam e que nem chegaram a cumprir alguma utilidade, vão sendo empurradas nos lixões, nos passeios, no nosso caminho. E como já foram embora tem de se comprar mais, tem que comprar, comprar, comprar e não usar - muito menos guardá-las cuidadosamente e organizadamente. É tão bonito quando um objeto tem uma história, uma simbologia, alguma razão pra ele estar ali à nossa vista, algum SENTIDO. Mas enfim, pela exaustão percebi que não tenho como gerenciar o lixo desastrosamente mal organizado de todas as esquinas, nem as coisas incoerentes que as pessoas vão acumulando acidentalmente, enfim, não dá para exigir as relações simétricas, paralelas, perpendiculares e circulares entre as coisas, senão não vivo! E de todo, me resta manter domínio sobre as MINHAS coisas (que já são consideravelmente organizadas), trabalhar com dinamismo para que um dia, psicóloga, esteja analisando e ajudando um paciente a desgarrar-se das coisas poucas E organizadas que um dia o Mundo aprenderá a ter.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Cabeça com biziu.
Decidi vir a um espaço verde e calmo da cidade, lugar que já, em uma vez, me serviu como tranquilizador. Lugar onde pufff, parece que o Mundo finalmente nos libera de sua insistência e densidade altas e irritantes. É a procura pela cura, que leva um corpo e uma mente com exaustiva deficiência, desvigorados e encurralados a tomar alguma atitude destas. É quando a mente já está confusa demais, e está tão tonta e desorientada que se vê presa em um labirinto que seus caminhos foram traçando. E o corpo só quer uma coisa: dormir, dormir e dormir. Dormir faz as coisas se acalmarem, dormir me leva a um estado de tranquilidade onde a minha cabeça finalmente pára de brigar consigo mesma e é minha amiga. Corpo e cabeça são amigos e andam de mãos dadas para ajudar o coração, dorme meu bem que assim estamos todos a salvo. A protagonista causadora disso tudo é a cabeça. Não digo mente porque as dores encefálicas que provêm da mente pra mim são tão crânio que a imagem figurativa de mente não fas jus à potência desta coisa que domina - e que pesa tanto no corpo. Com a noção de que preciso tirar o peso do pescoço, saio de uma terça-feira sonâmbula para uma quarta-feira reestruturadora, reorganizadora e revitalizadora da mente - e cabeça. É um plano de emergência: é um ritual, uma meditação que tenho que fazer, senão não consigo ir para frente. Me conheço aos meus TOCs. É fugir dos lugares que por fazerem parte da rotina se tornam armadilhas que levam ao empacamento. De "empacar" mesmo, lá as coisas empacam. É como querer ouvir a opinião de alguém de fora da situação, é me distanciar pra me salvar. Conceitos e definições básicas: onde nascestes, onde vivestes, de quem és filha, o que podes ser, o que queres ser. E como vais fazer? Como? A sonolência da tarde me puxa para o centro da Terra e para o centro de mim mesma, fazendo com que seja tentador largar papel e caneta e aprofundar-me em mim, com os olhos fechados e mente parada. Mas não posso, afinal o quê me trouxe até aqui foi a necessidade de cogitar. É alguém que antes de dormir precisa ver se não tem nenhum monstro embaixo da cama, e pegar um copo d'água. E nesta analogia "dormir" tem sentido oposto na realidade: preciso ver se não tem nenhum monstro embaixo da cama para que possa sair de casa e deixar meu gato dormir sobre ela, pois sei que estará, então, fora de perigo. É a base que dá possibilidade para a ação. Não sei se todas as pessoas precisam desta base para suas ações, acho que simplesmente vão fazendo. Mas eu não consigo, meu distante grau de parentesco com robôs não me permite tal automaticidade. Pois é então essa visão panorâmica da minha vida, depois deste texto, e ainda em seguida um plano de gestão que me trarão de volta à vida. Acrescentada. Em meio aos tantos pássaros e bichos, me torno eu mesma bicho observador que analisa os arabescos humanos meus e quando conseguir colocá-los em posição simétrica volta a humanizar-se.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Backstage do Mexilhão
O backstage acontece muito mais frequentemente do que imaginamos.
Por exemplo, agora, para mim, ele está acontecendo.
Agora às 02:40.
Backstages acontecem por exemplo...
Nas madrugadas solitárias em que somos um mexilhão que espia por uma frestinha de sua morada.
Disso aqui vai se originar algo.
Desse ensaio se originará um espetáculo bem sucedido.
Só dêem-me o tempo...
Numa entediante e confusa aula eu pergunto:
-Mundo, posso ir no banheiro!?
...
Deixa eu parar aqui por umas horas. Deixa eu girar em volta do MEU mundo e ver O mundo através da MINHA morada.
Ha que fofo. Deixem-me lhes contar esse episodio que aconteceu. Ninguém online na minha lista do messenger e de repente um conhecido.
Eu, ingenuamente e muito "chatamente":
-Olá!
Tens algum companheiro online nesta agradável madrugada de quinta-feira?!
Esse simplismente escapuliu, escafedeu-se, escapou, fugiu, saiu, desapareceu, sumiu, se foi, se retirou do msn. Nem uma palavra.
Mas enfim, voltando ao meu bakcstage aqui, realmente estou na minha concha. Igual ao mexilhao. Vou arrumar a casa. Vou tomar café e amanha terei de acordar.
Mas nao importa porque durantes as últimas 48 horas estava ausente do mundo.
Apenas o olhando do orifício da minha concha.
Ahhhh a inseparável e fiel companheeira... A música.
Em backstages ela é fundamental.
Canto para, através dos curvos caminhos que as notas desenham na minha voz, alinhar minha alma através de um contínuo percurso.
Estou como um "montador de puzzles (ou quebra-cabeças)".
Ainda nao existe esse negócio mas o montador de puzzles é uma máquina onde se joga as peças do puzzle e ela se fecha (automaticamente, claro) e mexe mexe mexe sacode sacode as peças lá dentro e alí esta o puzzle montado.
E o montador limpo e vazio.
O Puzzle montado.
Daqui a 3 horas meu puzzle estará montado.
E esvaziarei meu montador de puzzles.
Isso também pode ser considerado como uma fagocitose.
Sou uma célula que pegou um elemento (ou vários) e trouxe-o(s) para dentro de si.
Nesse backstage vale tudo.
Afinal o espetáculo nao começou.
Nesse backstage vale experimentar todas as luzes, todas as marcaçoes de palco, todas as roupas, sons.
Vale tudo.
Somos malucos e seres meio zoomorfizados.
Somos bichos que dão estrelinhas e deitam no chao.
As cortinas estao fechadas mesmo, ninguém nos vê nessa escura madrugada.
e terminamos assim.
e terminamos assim. Temperados e devorados.
Igual aos mexilhoes.
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